terça-feira, julho 05, 2016

Recuperação de nota ou psicológica?

 Era segunda feira. Desde antes avisara pelo whatsApp que OS ESTUDANTES fariam provaS de recuperação. Eu deveria aplicar a avaliação lá, na sala dele. Entretanto, por motivo de coincidência de horário tive que aplicar em outra turma após organizar a sala e distribuir as provas.
Tudo transcorreu normalmente na sala em que apliquei. Terminada a tarefa, me pus a recolher as atividades da primeira nota, em seguida toca para o final das aulas.
Almocei, Elaborei a chave de correção e iniciei a correção. Foi aí que vieram as surpresas.
Quando já corrigira o quarto gabarito, deparo-me com um estranhamente rabiscado. O que era aquilo? Pus-me a analisar, a fazer uma leitura das imagens que se compunham de linguagem verbal e não verbal.
Resultado de imagem para revolver 38
Confesso que a princípio não entendi muita coisa, a não ser que ali se encontrava um revólver segurado por uma mão, por sinal,  muito mal desenhada. Depois dirigi meu olhar para a caricatura que a segurava: uma mulher de cabelos crespos, brincos grandes e um  um detalhe relecionado à marca da blusa. Logo próximo à arma, umas palavras  que não consegui ler.
Também havia ainda compondo a ilustração, umas siglas e algumas letras em forma de grafite. De repente pensei: seria aquilo uma ameaça? Ele já era acostumado a tentar intimidar professores e colegas de turma. Alguns até maiores que ele. Outro fato é que o referido não realizava nenhuma atividade, mas adquirira o hábito de contestar se não tivesse notas boas.
Após toda essa divagação tinha um colega próximo a mim e socializei o episódio mostrando-lhe aquele gabarito. Ele ficou surpreso e passou para os demais professores, inclusive ao diretor que tirou uma cópia. Todos acharam que as siglas era de facções do bairro e eu deduzi que o aluno poderia estar querendo me intimidar.
Até aí tudo bem. Porém no momento de recolher as atividaes para a primeira nota, nevamente ele me aborda querendo me forçar a colocar notas em atividades fantasmas. Mostrou-se revoltado e acabei indo embora sem nem olhar mais as atividaes dos colegas. Entendi que deveria evitar qualquer conflito.
A verdade é que o corpo docente sempre conjectura que ele possa vir a ser um perigo e mal exemplo para a escola. Porém uma pergunta fica no ar? Recuperar a nota não trouxe um indicativo de que ele precisa de recuperação psicológica? Se é que ainda é possível, porque segundo informações ele é envolvido com projetos perigosos. É um adolescente em situação de risco. É frio, violento e gosta de chamar atenção. E o pior, intimida a turma.
Segundo um psiquiatra que conheci, quando alguém procura refúgio nas drogas já é indício de que precisa de ajuda psiquiátrica.
Honestamente, não consigo entender o que leva alguém a se considerar superior dstruindo a si mesmo, prejudicando aos que estão a sua volta, enfim, se aprisionando ao invés de se libertar!
O que está havendo mesmo com estes estudantes que entram no mundo do crime já tão jovens? De uma coisa tenho certeza: É necessário urgentemente recuperar o ser humano, principalmente estes adolescente em situação de  risco hoje, caso contrário, em breve serão incontáveis os profissionais do crime.

quarta-feira, novembro 25, 2015

Quem sou eu?

Eu não sei o que eu sou.
Se tenho medo, sou uma criança;
Se imponho medo , sou uma fera ferida;
Se não tenho ponto de vista firme, sou um pré-adolescente;
se sou autônomo, firme, sou um adulto;
Se sou conscientemente dependente, sou um idoso.
Afinal, continuo sem saber quem eu sou!
E, se eu for a junção de todas essas características?
Talvez um pouco criança...
Um pouco adolescente...
Meio adulta...
Meio idosa...
E a maior parte do tempo, uma fera ferida.
Ferida pela fobia da reclamação,
Pelo desejo de ser aceita,
Pelo temor da inveja.
Inveja? Sim. Ela me sufoca!
A fobia é tamanha,
Que chego a camuflar o verdadeiro eu.


quarta-feira, julho 22, 2015

Adversidades do fim

Como sobreviver às adversidades ao aproximar-se dos sessenta anos? 
É impossível se sentir bem quando tudo em volta mostra o descrédito na capacidade física e mental do ser que tem um pé no final da década de 50 e o outro no princípio da de sessenta. Tudo que se fala parece fora de época, tudo que se faz parece provocar um risinho de lado quase imperceptível, mas bem significativo para quem já sofre pela falta de confiança ao perceber nos olhares rápidos e desdenhosos da maioria a famosa palavra "caduco". 
Prova difícil e irreversível a da idade. Todos passam por ela, a menos que partam em tenra idade. Contudo, esse não é o desejo de quem se preza, aliás, esse é o anseio apenas de quem não está em pleno gozo de suas faculdades mentais. Todavia, aquele que tem sua idade terrena retardada muitas vezes tem também colocada em dúvida sua sanidade mental.
Pena que o valor do humano seja associado a faixa etária. Quando criança, não é levado a sério, quando ancião, também não. Se é adolescente, não tem personalidade formada. Então somente é sábio, correto, infalível o adulto! É indiscutível que todas essas faixas um dia farão parte do passado e muito dolorido será o fim porque o tempo é  imutável, o hoje nunca será amanhã e o amanhã jamais será o ontem.
É a lei da vida.Um fim de tristeza, de solidão, de descrédito e de dó... esse último é o sentimento que todos abominam em idade tardia e  certamente do qual nunca fugirão. 
Dó. É tudo que restará. E, por último, embora a contragosto, paciência e resignação... até lá... o fim. 


quinta-feira, abril 16, 2015

Prisão Consentida


             Onde há casamento, há restrição de liberdade, embora os cônjuges sejam felizes. Dessa ideologia é que surgiu a ideia de que um enlace matrimonial equipara-se a uma prisão de cinco estrelas.

    É evidente que em tudo que nos rodeia um limite se impõe e a união conjugal não poderia fugir a essa regra, visto que quando o fato se consuma, uma aliança é proposta por ambos os cônjuges: o respeito, e isso limita a liberdade, sendo tal fato considerado por muitos, uma prisão.

             Já no que se refere a felicidade, é notório que nenhum dos enamorados desejam ficar separados. A própria natureza os atrai e embora se sintam presos, realizam-se como um hóspede em um aposento de cinco estrelas. Porque o espaço é pequeno em relação a uma casa, mas luxuoso satisfaz ao alojado. O mesmo acontece no casamento, é resultado de restrições mútuas também configurando, é óbvio, o consentimento do coração.    
                Assim para que ambos sintam-se bem como casal que optou por formar uma família, faz-se necessário a aceitação como natural a união com suas limitações indispensáveis, para que seja duradoura, pois os laços indeléveis ditados pelo amor prendem ao mesmo tempo em que agradam. 












domingo, maio 11, 2014

Perda de mães , sofrimentos para os filhos

Nossa escola tem uma história de inúmeras vitória, porém esse ano recebeu o tétrico legado de sofrer duas grandes perdas: duas grandes mães que partiram para a Pátria espiritual: de onde viemos e para a qual retornaremos um dia.
Perdemos nossa grande amiga NININHA, rainha do lar do nosso colega e amigo Valdir e nossa digníssima amiga, gestora e mãe Fátima.
Esta última como mãe, amiga, protetora dos humildes, dos desesperados, dos tristes e dos desvalidos, a mãe de nosso EREM Cônego Olímpio Torres necessitou  deixar-nos libertando-se da penitenciária terrenas, mas também  temos certeza de que mesmo desgastado pela debilitada saúde não queria partir, porque mãe não foge,  ela fica até o fim com os seus pimpolhos.
Sua Perda é insubstituível! Conseguiu elevar a escola de uma média insignificante ao resultado máximo de ficar na 3ª colocação entre as 1115 escolas do Estado no Pacto pela Educação. Esse é reconhecidamente o resultado de muita persistência e destemor, pois é necessário coragem para exigir e se indispor com muitos, pois como mãe, dela, nunca alguém guardou rancor.
EH, Maria de Fátima, como seria bom que tivéssemos aprendido teus ensinos!
Já debilitada pelos problemas físicos jamais deixaste de esboçar um sorriso de otimismo, de força e coragem de viver,  bem como de acreditar nas potencialidades de todos estes teus filhos que conseguiste  elencar.
Os filhos de Fátima eram infinitos. Eram os funcionários, os alunos, os pais e mães de alunos, o esposo, os filhos biológicos e adotivos que tinha sobre sua guarda, seus cunhados, e até aqueles que não conseguiu conquistar, no entanto aprendeu o que Jesus ensinou, amar sempre, perdoar sempre, porque em seu coração havia abrigo para todos. Se isso acontecia era porque não era apenas mãe:
Era abrigo de luz, de paz, de amor de vida!
É difícil  tecer elogios sobre Fátima porque nenhum adjetivo seria suficiente para caracterizar sua grandiosidade, ela foi aprendiz de Jesus e Maria e conseguiu praticar o que absorveu. Por isso, nesta noite festiva em homenagem a todas as mães  digo o contrário: Não durmas em paz, Fátima, como todos dizem, porém vivas em paz e acordada, pois tua vida não foi para dormir, mas para trabalhar e construir o que certamente continuarás a edificar onde estiveres o mesmo monumento do amor que aqui iniciaste.

Parabéns, mães! Parabéns Fátima, pelo  vosso dia e muito obrigada por nos ter assumido como teus filhos.

Às Mães





Mãe é a estrela guia no universo da vida;
É também acusada de culpada universal pelos desvios cometidos pelos  filhos!
Como são injustiçadas!
Quão incompreendidas são estas estrela!
Digo estrelas, porque elas são permanentes,
Eu jamais poderia chamá-las de cometas, porque eles passam e nunca se sabe quando voltam.
Mas mãe, não! Mãe é diferente! Ela permanece conosco na vida e na morte.
Na vida a nos guiar os passos;
Na morte, nas lembranças de cada flor que tocou,
 de cada sangue que estancou,
 em cada exemplo que demonstrou
 e em cada conselho que ensinou.
 E, se na sua ausência infringirmos suas orientações corremos os riscos de amargarmos pelo resto da vida o peso da consciência culpada.

Parabéns, mães!Pois vocês são abrigo de luz, de paz, de amor e de vida!

quinta-feira, maio 08, 2014

Silenciando Minha Alma

Após á inebriante leitura do texto Escutatória do autor Rubem Alves, na sala de aula fizemos um exercício de cinco minutos de silencio: O terceiro A e eu.
Resolvemos oferecer um mínimo de silencio as almas. A minha, coitada,  já tão atormentada por gritos estridentes a me chamarem, por vozes professorais a explanar matérias!Porque, afina,l acordo aula, almoço aula, durmo aula, vivo aula. Minha alma desacostumara-se do silêncio.
A princípio o exercício foi difícil, o silencio não se fazia, nem fora nem dentro. Era um arrastar de pés, um batuque de dedos nas carteiras, um que levanta-se para tomar água, uma troca de lugar, mas enfim o silêncio se fez.
Como que por encanto um gorjeio de pássaros ensaiou uma sonata na natureza, aí me dei conta de havia natureza e que a vida não só era feita de aulas! Aquele som atravessou-me os tímpanos como um feixe de luz atravessa uma fechadura e vai refletir no fundo do quarto escuro. Minha alma estava escura. não consegui ver mais nada! Quanto tempo não ouvia os pássaros? Tão bitolada me encontrava nesse universo perverso de desrespeito, preconceito, autoritarismo, falta de amor,  solidariedade, de alegria e  ausência de atenção? Só ouvia a voz da escola, mas minha alma pedia outra, a da harmonia, da sinceridade, da união infalível daquela orquestra tão natural, tão espontânea, tão feliz. Que só me foi possível apreciar esvaziando a alma, silenciando-a.
A natureza! Essa amiga mão me salvou!Despertou-me para ver o que já nem conseguia, tão envolvida estava pelo  materialismo selvagem, escravocrata  que me oprimia a alma e que me fizera esquecer o resto do mundo.
Acordei...
É. Rubem Alves tem razão,  o silêncio expulsa todas as ideias estranhas à espera do pensamento essencial.E este veio através do silêncio que ofertei a minha alma,cujo exercício me permitiu renascer para a vida que jazia fora de mim. Uma já pobre morta viva!