quarta-feira, setembro 29, 2010

Relação entre o HOMEM e o poema

O Engenheiro
A luz, o sol, o ar livre
envolvem o sonho do engenheiro.
O engenheiro sonha coisas claras:
Superfícies, tênis, um copo de água.

O lápis, o esquadro, o papel;
o desenho, o projeto, o número:
o engenheiro pensa o mundo justo,
mundo que nenhum véu encobre.

Em certas tardes nós subíamos
Ao edifício. A cidade diária,
Como um jornal que todos liam,
ganhava um pulmão de cimento e vidro.)

Como um jornal que todos liam.
A água, o vento, a claridade,
de um lado o rio, no alto as nuvens,
situavam na natureza o edifício
crescendo de suas forças simples.
                         João Cabral de Melo Neto

      Como eu poderia estabelecer uma relação entre um homem concreto e o poema de João Cabral? Ja descobri! o título e as características comuns a ambos. Pois quando vejo o poema em minha frente, ganha tamanho o homem carne, músculos, pelos e solidão.
      Nada sei sobre ele, ou quase nada, contudo, posso criar, avolumar, como faço com a semântica do poema na sua linguagem, racional, concreta e automática da razão. Embora seja carinhoso,   suas ações não dão margem à inspiração e à poesia.  Talvez, porque não tenha conseguido abrir espaço entre a geometrização e a exatidão, para deixar nascer o sonho e a subjetividade, tão meus.
Somos dois opostos.
       Enquanto vejo a beleza da vida de dentro do pulmão de cimento e vidro, ele prefere medir e  calcular a construção do pulmão;
       Enquanto vejo a perspicácia, astúcia do olhar e penso sobre o que há por trás de tudo, ele prefere o automatismo visual concreto e instantâneo.
       O que eu queria mesmo era lhe descobrir. Do mesmo modo em que o eu lírico do engenheiro lia a cidade diária ao ganhar aquele pulmão.
        Mas o bom de tudo isso, seria que eu saisse do poema, esquecesse a poesia que está enraizada em mim e fosse em busca de sua objetividade, tocasse, medisse e construísse um edifício sem portas e sem janelas fechando-o para evitar que de mim se fosse.
        Impossível!!!Os contrários se repelem. Entretanto, bem que  a adversidade deveria transformar-se em adição e nesse sentido, você ganharia e eu mais uma vez pela dominação ... não!
        A relação foi estabelecida.  E, com tal maestria, que chego a duvidar de que o engenheiro e o poema não sejam a mesma coisa.




       



terça-feira, setembro 28, 2010

"Se em vossos pensamentos deveis dividir o tempo em estações, que cada estação envolva todas as outras estações, e que vosso presente abrace o passado com nostalgia e o futuro com ânsia e carinho"
Gibran



Gibran

segunda-feira, setembro 27, 2010

Aqueles que tem consciência

" Em primeiro lugar vou falar da tuaa profissão,
da indústria do espetáculo,
da atividade que você escolheu exercer, não importa porque razões,
esperamos que elas sejam as melhores.
Na verdade é indiferente
o que você pretende fazer nessa profissão.
O que você deve saber é o que farão de você.
Os teatros de estado subvencionam os serviços
que favoreçam as idéias dominentes.
Ou seja,as idéias daqueles que dominam,como daqueles que são dominados.
É bom que você saiba que você é um empregado,
como qualquer outro empregado.
Como aquele, por exemplo,
a quem a gente chama num bar para servir uma bebida.
Mas, evidentemente, isto é tudo.
Aqueles que tem consciência de ser subjugados
podem alguma coisa contra os que subjugam"
Bertold Brecht

Esperança

Vou vivendo como me cabe viver
 a  possibilidade de um dia encontrar
O princípio que antes me fez sonhar.
Pois levo a a vida esperando acontecer
Tal encontro no desencontro realizar
O breve sonho que busco concretizar.
Muito tarde...deveria era esquecer...
E na esperança  desse amor renascer,
Mesmo sabendo que isso nunca vai se dar,
Pois só de um lado nada  vai realizar.
E certamente  com os resíduos do ir e vir,
Tão maltratado esse amor deve ruir,
E os sonhos e lembranças de amar
Como detalhes de beleza vão ficar,
Mas o alguém que nada fez pra construir,
Vai lamentar quando o tempo devolver,
Em desilusões o sacrifício, por  sufocar
Tamanho amor que o egoísmo fez morrer.

video
   

domingo, setembro 26, 2010

Infidelidade e trauma

Infidelidade e trauma

Há situações na vida humana que revolta até a mais santa das criaturas. Uma delas é a infidelidade conjugal, porque fere a alma no que há de mais sublime do ser: o brio.
É certo que no contexto atual, pelo menos no Brasil, principalmente nas cidades do interior, elegeu-se por modismo a falta de respeito conjugal. Então é normalíssimo encontrar-se homens (prova de um dominante machismo) a desfilar sem o menor pejo, com outras mulheres sem sequer preocupar-se com a própria família. É como se de repente começassem a imitar na vida real as cenas de novelas que são exibidas no cotidiano. Acho mesmo que tais criaturas perderam a razão, e, em busca de aventuras, saciam egos doentios construídos em meio à insegurança afetiva e transformaram-se em perversos carrascos dentro da família ao demonstrando aos que lhes são caros forte prova de desafeto e desrespeito.
Ao mencionar ego, devo lembrar que tais pessoas no topo do individualismo esquecem que estão a provocar traumas em outras a partir de suas ações completamente voltadas para a satisfação íntima. Sabe-se de antemão que entre os traumatizados estão em primeiro lugar os filhos em segundo a esposa. Também se coloco filhos em primeiro lugar é porque já assisti a cenas desoladoras de crianças que choravam decepcionadas por ser alvo de chacota por coleguinhas na escola ao ser comunicadas pelos colegas o fato de terem presehciado o pai com uma amante. Para os filhos os atos pérfidos são ameaça de perda (lembrando que todo filho, até você leitor, não deseja ter seus pais separados), já para a esposa, ser relegada a segundo plano, significa ter estilhaçada sua estima.
Tal tema recorda-me um livro que não lembro mais o título, onde o autor dizia: a traição ou adultério, causa mais trauma ao cônjuge que a perda pela morte, visto que fere no que há de mais sublime: o amor próprio, a estima.  Porque quando é enganada a pessoa lesada se sente diminuída, imprestável, um lixo. Ou melhor, reduzida em sua capacidade de ser amada. Afinal ser amado é uma necessidade do ser  humano.
Sei também que ninguém pode ser coisificado a ponto de pertencer a alguém por direito inalienável, mas por outro lado que é mais leal chegar a quem está a seu lado e dizer: eu decidi viver de aventuras, não era isso que eu queria, é monótono ter apenas uma companhia, por isso estou partindo.  A partir daí, poderá ter quantas relações extraconjugais  quiser sem expor filhos ( não digo fazer sofrer) ou esposa ao ridículo.
Acho triste assistir ao desfilar de inumeráveis famílias destruídas na cidade em que resido,  tão pequena! Com  apenas   sete mil habitantes, mas que guarda em seu seio o imensurável problema do desajuste familiar, da educação doméstica pautada completamente nos modelos fornecidos pela mídia televisiva. E como é tão bem imitada pelos de parco conhecimento! Também é  imitada pelos que se dizem intelectuais, porém que trazem no caráter o individualismo e, por isso, obrigam às proles ingênuas traumas irreparáveis e  sujeitos a perpetuação, uma vez que tais comportamentos foram absorvidos através da exemplificação e poderão ser repassados aos descendente.
Diante do exposto, nem se deve falar em melhoria moral neste mundo. Pois o que se preconiza como inteligência e esperteza está longe daquilo que se diz evolução, porque inteligente para a grande maioria é quem engana, adultera, tira o que não lhe pertence, rouba. São essas práticas atuais que não só abomino, mas também vejo como o cúmulo do atraso espiritual, mascarado  pelo egoísmo e desrespeito a criatura humana, visto que pelo fato de ser filha do mesmo Pai, Deus, Perfeição Suprema, ao permitir que nascêssemos, pela Lei Natural  deixava implícito a responsabilidade de evoluirmos.  Jamais voltarmos ao estado primitivo da humanidade.
Devo dizer, em suma, que sou contra o adultério, esse modismo desmedido que chamo de decadência moral, pois sou a favor da decência, e, coloco a família,  entre as demais sociedades,   como prioridade absoluta para a construção de uma humanidade feliz e que tem respeito pelos sentimentos do outro.

sábado, setembro 25, 2010

Liberdade não Existe

Liberdade não existe
Eu falaria sobre liberdade, se as pessoas que estão empregadas não precisassem de chefia;
Eu falaria sobre liberdade, se os professores que conscientizam jovens, dessem aulas de fato sem que alguém lhes cobrasse retorno;
Eu falaria sobre liberdade, se os filhos cumprissem as obrigações escolares sem a cobrança dos pais;
Eu falaria sobre liberdade, se os políticos administrassem (como lhes cabe fazer, honestamente), o poder de nos representar que lhes outorgamos;
Eu falaria sobre liberdade, se as igrejas cumprissem de fato a missão de representantes e divulgadoras dos ensinos se Jesus.
 Aí, sim. Eu falaria de liberdade porque ela existiria, visto que falar sobre aquilo que não existe é perda de tempo. E pensar que nas escolas os professores de redação tem verdadeira obsessão por este tema!  Absurdo! E ainda se fala que o aluno deve estudar a partir do conhecido. Ele conhece a liberdade para dissertar sobre ela?
Então se nada disso acontece, por que falar de LIBERDADE, esta condição a que todo ser humano ambiciona, sem existir?
Se existisse, na terra não haveria cargos de chefia, nem patrões, nem líderes fiscalizadores e muito menos monitoramentos porque todos saberiam e cumpririam por si só suas obrigações. E, se assim fosse, não cumpririam apenas pelo fato de ter desenvolvido a consciência de que aquilo que se tem por realizar deve levar em consideração a si própria e ao seu irmão. Conquanto, concebendo que ao se tirar de um irmão, não é dele que se está tirando, mas de si mesmo, da obrigação que lhe cabe como irmão de amar ao próximo como a si mesmo, conforme preconizava Jesus.
Tudo é pura utopia. Tenho assistido a políticos, padres, professores, gremistas, líderes sindicais fazendo apologia a liberdade quando não exemplificam, e muitas vezes teimam em quererem pressionar as pessoas que consideram menos esclarecidas a pensarem semelhante a si mesmo.
Por isso reitero, como se opta por liberdade se não se respeita o direito individual de pensar, de agir e de decidir? É certo que você pode esclarecer, mas também deve conceder o direito de escolha. Isto sim é liberdade.  Entretanto, esse direito tem sido negado em favor da tirania e da subjugação, muitas vezes fazendo-se uso até mesmo da perseguição.
Para ser sincera, afirmo que o ser humano não tem sequer a liberdade de pensar, porque até mesmo seus pensamentos mais secretos são vigiados por aqueles que gostariam que você pensasse pela visão restrita que lhes cabe sobre o mundo e a forma de vida.
 Como posso, então falar de liberdade se até o que pensamos, queremos e cremos é o resultado de idéias que nos foram incutidas com propósitos muitas vezes alheios a nossa classe, por pessoas que nunca vestiram a nossa túnica e que opinam sobre tudo, contudo, falam do que acham, mas, nunca do que sentiram? 
Ah, liberdade! Só te poderemos conceituar, definir, sentir, exercitar no momento em que compreendermos e cumprirmos nossas obrigações para com o mundo, o próximo e conosco mesmo.
 
Por isso que ninguém poderá me convencer de assumir uma posição concreta sobre LIBERDADE a menos que me possa demonstrar que a terra não é um espaço apenas de lazer, mas de trabalho.  Trabalho no qual todos apresentem satisfação e responsabilidade pela evolução.  Aí, sim. Nesse momento exato, podem me convidar para falar sobre liberdade, porque por enquanto eu me recuso a falar do que não existe.